COMPORTAMENTO

Programa auxilia maceioenses que querem parar de fumar




Grupos contam com cerca de 20 usuários. Atividades presenciais estão suspensas no momento.

No Dia Mundial sem Tabaco, 31 de maio, SMS destaca atividades do Núcleo de Cessação do Tabagismo

O analista de sistema Antônio Palmeiro fumou dos 14 aos 65 anos, sua idade atual. Após 229 dias sem o cigarro, seu Antônio trava uma batalha diária para continuar distante do tabaco, que segundo ele, não seria possível sem o auxílio do Programa Municipal de Cessação e Controle do Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

“Fumei durante 51 anos. Parei de fumar em outubro, mas todos os dias ainda penso e sinto vontade de fumar. Conheci o núcleo através da minha filha que fez estágio lá”, afirma o usuário.

O Programa conta com equipes multiprofissionais, nos seis núcleos municipais (nas unidades do 2º Centro, Aliomar Lins, Dídimo Otto, João Paulo II, Durval Cortez e São Francisco de Paula), além dos dois parceiros (HU e Uncisal). 

“Os profissionais são excelentes. Para se ter uma noção correta da excelência desses profissionais só participando das reuniões. Tive apoio direto da Lara Sandes, terapeuta ocupacional; do Arthur, educador físico e terapias alternativas, como acupuntura e florais; da Suzana Cunha, psicóloga; e também tive encaminhamento rápido e sem burocracia a uma nutricionista. Sem falar do Áureo, psiquiatra; da Sheila, enfermeira; da Luciana, assistente social e da fisioterapeuta Solange”, fez questão de mencionar o usuário.

Acompanhamento dura um ano

Para participar do programa não é necessário encaminhamento médico. O paciente só precisa ir ao núcleo mais próximo de sua comunidade ou ao 2º Centro, às quartas-feiras, portando o RG e o cartão SUS, para fazer uma inscrição. No local, existe uma lista de espera e as pessoas são chamadas para novos grupos de acordo com o surgimento de vagas. Cada grupo contempla de 15 a 20 pessoas.

No momento de realização do cadastro são coletados dados pessoais e são feitas perguntas relacionadas a saúde e ao vício. No primeiro mês, os encontros são semanais e duram de uma a duas horas, seguindo a metodologia proposta pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), por meio de livros que surgiram de vários estudos da experiência com câncer e doenças relacionadas ao tabaco.

“Durante esse primeiro mês o contato é mais intenso, porque é o momento que a gente espera que o usuário consiga parar de fumar. Neste primeiro mês o usuário tem uma consulta marcada com o médico, que vai avaliar a necessidade de prescrever alguma medicação para auxiliar na tentativa do usuário largar o cigarro”, explica a psicóloga Suzana Cunha. 

Já no segundo mês, o encontro passa a ser quinzenal. Do terceiro ao 12º mês as reuniões são mensais. “Esse acompanhamento dura um ano, porque as pesquisas indicam que, ao parar de fumar, o primeiro ano é o mais crítico e com possibilidade de recaída. Então, a gente fica nesse acompanhamento mais perto, pra ver se esse usuário permanece longe do cigarro”, pontua a psicóloga, que afirma que os usuários são bem receptivos ao acompanhamento.

Atividades físicas, agora feitas de maneira virtual, também auxiliam os usuários.Atividades durante a pandemia

Com o surgimento de casos do novo coronavírus e levando em consideração que os fumantes são integrantes do grupo de risco da doença, foi necessário adotar medidas de distanciamento social, o que afetou também o acompanhamento presencial dos usuários do núcleo de cessação do tabagismo. Mas, para que o paciente não fique desassistido, os profissionais têm adotado diversas estratégias.

“Nós falamos com eles pelo WhatsApp ou por ligações. Agora também criamos o instagram para fazermos lives e outras atividades com eles”, comenta Gilda Teodósio, coordenadora do programa.

A psicóloga Suzana também explica que a pandemia vem impactando a todos e, por isso, é necessário um atendimento diferenciado. “Há um aumento de ansiedade de forma geral na população, porque várias válvulas de escape que usamos para relaxar, para nos distrair, estamos impedidos de usá-las, como um lazer, um passeio, uma praia. Consequentemente, o nível de estresse e ansiedade tende a subir”, relata. 

“Se o fumante já tem tendência a ser um pouco mais ansioso que o normal, no momento da pandemia está tendo um impacto maior. Então, eles estão com um desafio com certeza maior neste objetivo, que é parar de fumar”, comenta a psicóloga.

Seu Antônio conta que sua intenção ao entrar no programa era parar de fumar e que vem conseguindo, mas que tem sido desafiador durante o período de distanciamento social. “Durante esta pandemia tem sido bastante difícil, porque a vontade de fumar e a lembrança do cigarro aumentaram muito. As horas desocupadas passaram a ser o hobby de quem está em isolamento há mais de 60 dias”, confessa. “Mesmo antes de parar eu já aconselhava as pessoas a não fumar”, lembra o analista de sistema.

A psicóloga conta que há relatos de recaídas, mas também muitos relatos de perseverança. Nos dois casos, os profissionais trabalham para auxiliarem os pacientes na luta contra o tabaco. 

“Uma recaída não é uma desistência no caminho. A pessoa pode ter uma queda e levantar, sacudir a poeira e continuar, porque da mesma forma que ela conseguiu se afastar do cigarro no primeiro momento, ela pode conseguir novamente. Por outro lado, temos relatos de várias pessoas que estão enfrentando a pandemia, que estão conseguindo se manter afastadas do cigarro, mesmo com todas as dificuldades”, menciona.

Neste momento, o apoio da família, amigos e pessoas próximas é ainda mais importante. No caso do analista de sistema, ele conta com apoio da esposa e filhas, mas nem sempre acontece dessa forma. “Tem uma série de dificuldades que as pessoas enfrentam nessa trajetória de deixar de fumar e eles encontram na equipe a compreensão. Essa visão de que não é fácil, que eles estão empreendendo uma grande luta, que isso é admirável, e só pelo fato deles terem ido lá se cadastrar já estão de parabéns”, frisa Suzana.

A caminhada é importante também para os profissionais. Os resultados alcançados ao longo dos anos e o reconhecimento dos usuários fazem com que esses servidores se sintam motivados a estarem sempre próximos.

“Esse reconhecimento, esse olhar emocionado, que a gente vê nos relatos, quando eles dizem que ali encontram compreensão, acolhimento, apoio e a força necessária pra deixar de fumar, pra nós não tem preço. Isso tudo é emocionante e gratificante”, finaliza a psicóloga.




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